Tartarugas marinhas do Brasil: as 5 espécies e onde mergulhar com cada uma
Tem um momento que se repete em quase toda saída de mergulho no Brasil. Alguém aponta para o fundo, e lá está ela: uma tartaruga pastando no costão, sem pressa nenhuma, completamente indiferente à plateia de mergulhadores boquiabertos ao redor. É o encontro que ninguém cansa de ter, por mais vezes que aconteça.
O Brasil é um dos melhores lugares do mundo para mergulhar com tartarugas marinhas. Das sete espécies que existem no planeta, cinco frequentam as águas brasileiras. Vale conhecer cada uma, saber como identificá-las e onde aumentar a chance de encontrá-las.
As 5 espécies que vivem no litoral brasileiro
Tartaruga-verde (Chelonia mydas). A mais comum nos mergulhos do Sudeste e Nordeste. Apesar do nome, a carapaça costuma ser marrom ou oliva, e o "verde" vem da cor da gordura. É a que você mais vê pastando algas em costões e pedras rasas. Adulta passa dos 1,5 metro de casco. Dócil e fácil de observar.
Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata). A mais bonita, e a mais ameaçada. Tem o bico afilado como o de uma ave e placas sobrepostas na carapaça, que infelizmente já foram alvo de caça para a confecção de objetos. Vive associada a recifes e fendas, onde se alimenta de esponjas. Encontro frequente em Noronha e no Nordeste.
Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta). A da cabeça grande e robusta, feita para triturar caranguejos, moluscos e conchas. É uma das que mais nidifica nas praias brasileiras, especialmente na Bahia e no Espírito Santo. Pode passar dos 100 kg.
Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea). A menor das que aparecem por aqui, de carapaça arredondada e esverdeada. Famosa pelas desovas em massa em algumas partes do mundo. No Brasil, nidifica principalmente no litoral de Sergipe e Bahia.
Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). A gigante. É a maior tartaruga do mundo, podendo passar de 2 metros e de 500 kg. Não tem casco rígido como as outras, e sim uma carapaça coriácea com quilhas. É oceânica e rara de ver mergulhando, mas usa o litoral brasileiro para desovar, sobretudo no norte do Espírito Santo.
Como diferenciar uma da outra debaixo d'água
Na água, com a tartaruga em movimento, a identificação rápida passa por três pistas:
- O bico. Afilado e de ave: tartaruga-de-pente. Robusto e grande: cabeçuda. Arredondado e pequeno: verde ou oliva.
- A carapaça. Placas sobrepostas como telhas: de-pente. Lisa e larga: verde. Sem casco rígido, com quilhas: de-couro.
- O tamanho e o lugar. Gigante em mar aberto: de-couro. Média pastando no costão raso: quase sempre verde.
Não precisa virar especialista. Mas saber se você viu uma verde ou uma de-pente deixa o registro do logbook muito mais rico.
Onde mergulhar com tartarugas no Brasil
A boa notícia é que tartaruga é dos encontros mais democráticos do mergulho brasileiro. Acontece de norte a sul, inclusive em pontos acessíveis saindo de São Paulo.
Angra dos Reis e Ilha Grande. As tartarugas-verdes são residentes da baía e aparecem com frequência nos costões. É um dos encontros mais comuns nas nossas saídas de Angra, perfeito para quem quer ver a primeira tartaruga da vida sem viajar para longe.
Laje de Santos. O santuário marinho paulista também tem suas tartarugas residentes, verdes e de-pente, somadas a todo o resto da vida que a Laje concentra.
Fernando de Noronha. O paraíso das tartarugas no Brasil. Verdes e de-pente em abundância, em água quente e visibilidade que transforma o encontro em sessão de fotos. Noronha é parte da rota de muitas viagens internacionais e nacionais da escola.
Nordeste em geral. Da Bahia ao Ceará, recifes e piscinas naturais abrigam tartarugas o ano todo. Muitos projetos de conservação mantêm áreas protegidas que viraram pontos de encontro garantido.
Como se comportar perto de uma tartaruga
Tartaruga é um animal calmo, mas isso não significa que vale chegar perto demais. Alguns princípios que todo mergulhador responsável segue:
- Não toque. Por mais tentador que seja, tocar estressa o animal e pode remover a camada protetora do casco.
- Não bloqueie o caminho. Tartaruga respira ar. Se ela está subindo para a superfície e você fica no caminho, está atrapalhando algo vital.
- Mantenha distância e flutuabilidade. Chegar pastando o fundo levanta sedimento e espanta. Boa flutuabilidade é o que permite observar sem incomodar.
- Deixe ela vir. Curiosamente, quando você fica parado e calmo, é comum a tartaruga se aproximar por conta própria. O melhor encontro é o que ela escolhe ter.
As ameaças que elas enfrentam
Todas as cinco espécies brasileiras estão em algum grau de ameaça de extinção. Os perigos são conhecidos: plástico no oceano (a tartaruga confunde sacola com água-viva), redes de pesca, poluição, perda de praias de desova e a caça histórica.
O mergulhador tem um papel que vai além de observar. Quem mergulha vê de perto o efeito do lixo no oceano e costuma virar defensor da causa. Projetos como o Tamar transformaram o litoral brasileiro num dos casos de recuperação mais importantes do mundo, e o turismo de mergulho responsável faz parte dessa engrenagem: tartaruga viva, num recife preservado, vale muito mais do que qualquer alternativa.
Perguntas frequentes
É fácil ver tartaruga mergulhando no Brasil? Muito. É um dos encontros mais comuns, especialmente com a tartaruga-verde, que aparece em Angra, na Laje de Santos e em quase todo o litoral.
Posso tocar ou dar carona numa tartaruga? Nunca. Tocar estressa o animal e segurar pode impedi-la de subir para respirar. Observe à distância.
Qual a melhor época para ver tartarugas? Elas aparecem o ano todo. A temporada de desova (que varia por região e espécie) concentra adultos perto da costa, mas o encontro com tartarugas pastando nos costões não tem estação.
Preciso de Advanced para mergulhar com tartarugas? Não. A maioria dos pontos com tartarugas residentes (Angra, Laje) está dentro dos limites da credencial Open Water.
Qual a tartaruga mais rara de ver mergulhando? A de-couro, que é oceânica e gigante. As outras quatro são bem mais acessíveis em pontos de mergulho costeiros.
O encontro que nunca cansa
Tem mergulhador com centenas de imersões que ainda para tudo quando vê uma tartaruga. Não é sobre raridade, é sobre o que ela representa: um animal antigo, sereno, que atravessa oceanos e volta a desovar na mesma praia onde nasceu, décadas depois.
Ver uma tartaruga debaixo d'água é lembrar por que vale a pena proteger o oceano. E, no Brasil, esse lembrete está logo ali, a uma saída de barco de distância.
Quer ter seu encontro com as tartarugas de Angra? Veja as saídas da Dive For Fun ou fale com a gente no WhatsApp.
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